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Num futuro bem distante, nossa época será analisada por povos bem mais evoluídos, com a intenção de conhecer qual a característica mais marcante "daqueles homens primitivos que habitaram, um dia, o planeta Terra, no distante e atrasado século 21". Não tenho dúvidas de que essa característica seria a incapacidade que possuímos em perceber a unidade em que estamos mergulhados, apesar de toda a diversidade que nos cerca. Será notada a importância que damos ao fato de "sermos indivíduos", separados uns dos outros por diferenças fundamentais. Esses homens do futuro - provavelmente nós mesmos - terão à sua frente toda a trajetória percorrida pela Humanidade no caminho da descoberta de que essa idéia de separação é ilusória e temporária.
Sofremos de um "mal" que, apesar de providencial, nos impede de perceber a Totalidade que nos une: somos seres de consciência polarizada. Tudo, para nós, está entre o amor e o ódio; entre a verdade e a mentira; entre a vida e a morte; entre o Bem e o Mal. Somos ainda incapazes de perceber que todos esses itens são pólos complementares que nunca deverão ser, de um lado, evitados e nem de outro, santificados. Amores e ódios, verdades e mentiras, realidade e ilusão, tudo isso nos compõe. Tudo é parte de nós. Temporariamente, é verdade. Mas enquanto não entendermos essa condição - e ainda nos encontramos longe disso - será impossível vivenciarmos a verdadeira dimensão de tudo o que nos cerca.
Enquanto isso não acontece, continuamos no caminho para nos reconhecermos indivíduos. Ele é extremamente importante. Não temos ainda o equilíbrio necessário para nos separarmos daquilo que ouvimos. Acreditamos em verdadeiras bobagens como se fossem palavras divinas. Não criamos o costume de checar informações antes de sair por aí repetindo frases e conceitos que acabamos de ouvir. Confiamos nas fofocas e nos "achismos" como meio de nos sentirmos melhor com o erro ou o insucesso do outro. Adoramos "comentar". Nossas verdades e mentiras ainda se alternam com grande rapidez, dependendo de interesses pessoais, sociais ou políticos. A mídia também está aí para isso.
Na medida em que a nossa lucidez nos aproximar de Verdades muito além das que sonhamos hoje, iremos nos tornando seres mais iguais, mais conscientes do que somos e para onde estamos indo. E essa consciência vai nos levar de volta ao lugar de onde viemos. Qualquer semelhança com as modernas e libertadoras idéias de Deus não terá sido mera coincidência.
Repetir que não somos ilhas já se tornou lugar-comum. Mesmo assim, para os que insistem em nos ver como seres únicos, separados no tempo por culturas e épocas, e espalhados por vastas distâncias no espaço, ainda vale lembrar que as ilhas estão fortemente interligadas no fundo dos oceanos. Apenas os cumes desse mesmo relevo é que saltam para fora da superfície do mar, mostrando-se como ilhas isoladas. Mas todas as ilhas fazem parte de um mesmo "chão". Partem de uma mesma base. Assim como nós. Mas não se preocupe. Ainda, um dia, entenderemos isso.
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